Home >> NotÃÂcias
Boas dicas do blog da jornalista Thelma Torrecilhas
Conviver com a diversidade na escola é muito bom, mas o Corinthians não se discute
Desde a entrada do Gabriel na escola, estamos atentos às novidades que ele traz para casa. A primeira coisa que aprendeu foram noções básicas de propriedade privada. Passou semanas falando “é méo”, tudo era “é méo”. Foi tão engraçado: para calçar o tênis, ele puxava o pé e dizia “é méo”. Quando ia cobri-lo com o cobertor, ele puxava da minha mão e lá vinha: “é méo”. Sentava na frente do prato e avisava: “é méo”. Parecia que nunca mais ia parar com isso, mas, de repente, o “é méo” sumiu.
Depois, fomos achando que ele estava muito teimoso, resistia a tudo. Andou deitando no chão do elevador para não sair de lá e fazendo birra para sair do banho, lavar as mãos, sentar no cadeirão, recolher os brinquedos, para tudo. Achamos que o nosso bebê tão bonzinho tinha se transformado em um moleque bem malcriado. Mas, de repente, tudo se acalmou novamente.
Na semana retrasada, levamos um grande susto. Perguntado sobre o seu time do coração, ele falou, nem vou repetir aqui..., ele não disse Corinthians. Ficamos atordoados! Eu e o meu marido nos olhamos em silêncio e resolvemos mudar de assunto. A Nara ficou inconformada: “vamos tirar esse menino da escola!”
Durante alguns dias, toda vez que surgia um assunto de futebol, ele falava o nome de um time. Pelo menos, eram times diferentes. Chegamos a pensar que ele é um menino inteligente, sabe que futebol está relacionado com esses nomes todos, que bacana! Mas, o principal era a ameaça.
Então, a Nara veio para São Paulo decidida a proporcionar ao irmão um adorável final de semana do Timão. Comprar um uniforme foi pouco perto da idéia mais sensacional : a adesão do Backyardigans à Fiel Torcida! O Gabriel adorou e se divertiu muito colando adesivos em todos os bonecos: “Tasha Corinthians”, “Austin Corinthians”, ”Pablo Corinthians”, “Tyrone Corinthians”, “Uniqua Corinthians”.
Hoje, conversamos na escola para que os adultos não tentem desencaminhar o menino. Mas ressaltamos que não temos nenhuma reclamação em relação às brincadeiras entre as próprias crianças. Eu disse que em casa, o Corinthians é como religião, não se discute. A professora deu risada, ficou surpresa que ele esteja levando isso para casa, e contou que os meninos falam dos seus times quando brincam de bola. Que graça, tão pequenininhos!
Como diria o Tyrone: essa foi uma aventura bem corinthiana, vocês não acham?!
Eu conversei com a psicóloga e psicanalista Claudia Monti Schonberger sobre as mudanças de comportamento apresentadas pelas crianças quando entram na escola. Para ela, é natural que ao entrarem em contato com outras crianças e com outros adultos, elas descubram um mundo diferente que será levado para casa.
“É claro que algumas coisas diferentes são esperadas, vão acontecer. A preocupação grande dos pais é com o que o filho vai aprender desse convívio. Como pais, queremos que aprendam só as coisas ditas positivas, mas é claro que ele vai aprender também outras coisas”.
Segundo elas, a criança pode levar o que viu e ouviu para casa à procura de uma posição da família sobre aquela novidade. E quando ela busca uma confirmação de determinado comportamento, cabe aos pais passar os próprios valores.
A psicanalista disse que a criança, com o tempo, vai aprendendo a distinguir a família do ambiente escolar e percebendo o que são valores familiares. “Isso é muito importante. O preocupante é quando não há valores familiares a serem transmitidos porque os pais não estão voltados para essa criança ou acham que não cabe a eles educar os próprios filhos”.
Para o desenvolvimento infantil é enriquecedor entrar em contato com as diferenças e a escola pode ser o ambiente de maior diversidade para algumas crianças. Ela experimenta o que vai encontrar pela vida toda.
“É importante que a criança saiba e vá aprendendo que há diferenças, sim! E pouco a pouco, ela vai percebendo, o meu amigo fala isso, mas eu não vou falar. Porque ela vai aprendendo a construir a sua identidade. Nessa fase, a criança está em construção da sua identidade e é importantíssimo entrar em contato com as diferenças. É muito positivo até para poder se reafirmar os próprios valores”.
Claudia Monti Schonberger é psicóloga e psicanalista, coordenadora de equipe da Clínica e membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.
http://www.educarecuidar.com/2009/11/conviver-com-diversidade-na-escola-e.html
Veja aqui algumas entidades filantrópicas nas quais você pode fazer a sua parte
Vale lembrar que 'garimpar' e saber escolher com cuidado são as melhores dicas.