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Os problemas de saúde mental comprometem o processo de ensino e aprendizagem de diversas formas. Nos primeiros anos de vida, é possível identificar os transtornos mentais ou a inclinação da criança para desenvolver uma doença no futuro. Os médicos, por meio das queixas da família, podem identificar sintomas ou desvios em relação aos comportamentos considerados normais para cada idade.
Além da dislexia e do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), que atingem cerca de 5% das crianças em idade escolar, qualquer transtorno que interfira na saúde mental dificulta o aprendizado.
Os diagnósticos mais comuns são depressão, ansiedade, transtorno do humor bipolar e transtorno do pânico. Com frequência bem menor, está a discalculia, provocada pela deficiência de funcionamento da área cerebral responsável pela habilidade para compreender números e fazer cálculos.
Para o neurologista da infância, Marco Antonio Arruda, a demora no diagnóstico gera muito sofrimento e prejuízos para as crianças e as famílias, angustiadas pela ausência de explicação para o fraco desempenho no processo de ensino e aprendizagem.
Ele adverte que a criança é quem mais sofre pela falta de uma intervenção médica. "É trágica a situação de passar despercebido um caso de transtorno do humor bipolar. É uma situação em que o suicídio é muito frequente, é a principal causa de suicídio em crianças e adolescentes. Portanto, se atrasar o diagnóstico, é questão de vida ou morte para essa criança. A mesma coisa da depressão infantil", afirmou.
Segundo o neurologista, os sintomas de depressão em crianças são bem diferentes dos apresentados pelos adultos, o que pode dificultar a percepção da doença pelos pais. É possível confundi-los com birra ou falta de educação, mau humor e agressividade. Alguns sinais ajudam a indicar se a criança está deprimida: tristeza, negativismo, irritabilidade, falta de iniciativa, perda de interesse, cansaço, fadiga, dor de cabeça e alterações do sono e do apetite.
A depressão e a ansiedade são doenças menos frequentes, mas que comprometem a motivação e o empenho da criança na dedicação aos estudos.
No caso do TDAH, o impacto é muito grande na vida da criança. Antes das dificuldades escolares, ela já sente os prejuízos no convívio social e até no desenvolvimento. "No transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, a criança tem alterações de atenção que provocam deficiências nos vários tipos de memória. A criança tem dificuldade de prestar atenção, o que ela aprende, tem dificuldade de fixar na memória. Essa criança tem ainda dificuldade de se organizar, de elaborar estratégias, de planejar e resolver problemas. Dessa forma, vai interferir demais no aprendizado", explicou.
Na dislexia, "a criança pode ter uma boa atenção e uma boa memória, mas ela tem muita dificuldade com linguagem escrita." Segundo o neurologista, o problema na área cerebral responsável pela linguagem escrita dificulta a identificação de símbolos, a formação de palavras e frases, e a compreensão do significado dos textos.
O ambiente escolar pode favorecer a identificação dos sintomas e o diagnóstico dos transtornos, não só pelo resultado fraco no processo de aprendizagem, mas pela observação do comportamento da criança na comunidade escolar.
"O professor tem uma situação muito propícia para ver como essa criança está funcionando. Quais as habilidades de aprender, de se relacionar socialmente, de tolerar as frustrações, de ser mais flexível", disse.
Mas, para o neurologista da infância, a percepção desses transtornos na escola depende da capacitação dos professores. O médico acha necessário que os profissionais da educação tenham mais informações sobre saúde mental de crianças e adolescentes.
Para ele, o tratamento médico é só um detalhe que não funciona sozinho, todos os transtornos mentais exigem a intervenção de uma equipe multidisciplinar: médico, psicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional. Além disso, é fundamental que a família conheça o transtorno, o prognóstico e o tratamento, para saber lidar com a criança em casa.
"É necessário formar uma rede de colaboração em torno da criança, formada pelos profissionais da saúde, a escola, a família e a própria criança. Ela, portadora do transtorno mental, precisa ser orientada sobre o que ela tem e de que forma ela pode lidar melhor com esses problemas".
O blog promoveu um debate sobre a dislexia. Vale a pena conferir as opiniões e informações de vários profissionais, de pais e de quem sofre com um transtorno mental.
http://www.educarecuidar.com/2009/10/dislexia-no-centro-das-discussoes-sobre.html
Marco Antonio Arruda é neurologista da infância e Adolescência, doutor em Neurologia pela Universidade de São Paulo.
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